Alimentos seguros na gravidez

Alimentos seguros na gravidez

Eu sei que já sabe que a alimentação saudável na gravidez é fundamental, para a grávida e para o bebé.  Mas será que está a preparar, conservar e higienizar corretamente os alimentos?


Na gravidez, com todas as mudanças hormonais, a mulher fica mais suscetível a certos microrganismos patogénicos que podem originar doenças, dado que determinados parasitas e bactérias podem também passar através da placenta e desencadear infeções ou prejudicar o desenvolvimento saudável do bebé.

Além da questão da famosa toxoplasmose, temos outros “bichinhos” por aí, que provocam doenças tais como a brucelose, salmonelose e a listeriose, que são bactérias chatas que podem provocar infeções.
 

Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu 5 regras fáceis para nos protegermos:

1- Manter a limpeza: lavem bem os alimentos, passando-os por água corrente, especialmente frutas/legumes e hortícolas; 

2- Separar alimentos crus de alimentos cozinhados: no frigorífico, conservem a carne e o peixe crus sempre bem embalados; 

3- Cozinhar bem os alimentos: evitem carnes/peixe/ovos malcozinhados; 

4- Manter os alimentos a temperaturas seguras: aqueça completamente as «sobras» das refeições antes de as servir;

5- Utilizar matérias-primas seguras: atenção especial a produtos não pasteurizados, como alguns queijos/leites.


E não esquecer:
- Transportar os produtos refrigerados e congelados em sacos térmicos;
- Consultar e interpretar os rótulos e respeitando os prazos de validade;
- Lavar as mãos com água morna e sabonete antes e depois de manusear alimentos, depois de ir à casa de banho e após contacto com animais;
- Escolher refeições confecionadas no momento ou reaquecidas a altas temperaturas.


Partilho também algumas recomendações importantes que TODAS as grávidas
devem saber e aplicar no seu dia-a-dia:

Queijos e leite:

Podem consumir leite e derivados pasteurizados se for apropriado para vocês (de vaca, cabra, ovelha) — vejam na lista de ingredientes palavras como «pasteurizado», «ultrapasteurizado» ou «UHT».

O queijo fresco e o requeijão também podem ser opções, desde que pasteurizados e hermeticamente embalados em dose individual.

E os queijos como cottage, mozarela, feta, queijo creme, ricota, queijos curados (flamengo, cheddar, gouda, emmental, edam, parmesão) são seguros!

Mas digam «até já» aos leites não pasteurizados e queijos de pasta mole ou mal curados, como o brie, camembert, roquefort, chèvre. Estes não convém consumir nesta fase, pois não são seguros.

 

Enlatados:

Devemos evitar, até porque têm muito sal e a maioria dos produtos não são assim tão saudáveis nem interessantes para nós e para o feto.

Caso não seja possível, imaginem que querem comer leguminosas (tipo grão ou feijão) e não tiveram tempo de demolhar, podem utilizar pontualmente esse tipo de enlatados, mas escolham as embalagens em vidro e passem por água antes de consumir.
Eu sei que há dias mais atarefados e desejos assim estranhos na gravidez, mas tentem moderar o seu consumo sempre que possível.

 

Ovos:

Tudo o que seja ou contenha ovos crus ou malcozinhados deve ser evitado.
Isso inclui algumas sobremesas que possam ter ovos crus como musse, tiramisu, alguns gelados, massa crua de bolos e de outros produtos similares.
Nem maionese e molhos caseiros preparados com ovo cru.

Mas não me matem já, porque se cozinharmos totalmente os ovos (gema e clara firmes) e nas receitas que incluam ovos crus usarmos outras opções (algumas vegans) ou ovos pasteurizados, podemos ter maior segurança. Bye, bye, ovos benedict, holla, ovinhos bem passados!

 

Bebidas alcoólicas:
 
Como o álcool passa para o feto através da placenta, o bebé poderá ter contacto com o mesmo e este ter impacto na sua saúde. Por mais que se desvalorize esta questão e muitos profissionais consintam, as orientações recentes indicam que não é recomendado, uma vez que o consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez aumenta o risco de aborto espontâneo, parto prematuro, bebé com baixo peso ao nascimento, doença na infância e vida adulta, dificuldades na aprendizagem e problemas de comportamento na primeira infância, entre outros.

Também quem amamenta deve ter especial cuidado, porque o álcool passa para o leite materno, causando efeitos adversos a curto e a longo prazo no recém-nascido.

 

Carne e peixe:

Devemos evitar ao máximo a carne crua ou malcozinhada (vermelha ou de aves) e também carnes frias curadas ou fumadas, como o nosso querido chouriço, salame, paio e patês de carne. Sorry!

Todo o peixe deve ser bem cozinhado até obter carne firme, assim como marisco e bivalves (até atingir o ponto de fervura). Os melhores peixes para consumir na gravidez são a bela da sardinha, bacalhau, arenque, pescada e linguado. As conservas de pescado também são uma opção segura, em dias mais atarefados, mas não devem ser a regra. Evitem tubarão (cação), tintureira, peixe-espada, cavala, peixe-batata e outros com elevado teor de metilmercúrio, bem como ceviche, sushi e sashimi. Os fumados também devem ficar longe do vosso frigorífico, como o salmão/atum/cavala fumados e os patês de pescado ou marisco.

 

Legumes e vegetais:

Podem consumir, porque são muito importantes para a nossa saúde, mas devem optar por vegetais e fruta fresca bem lavados (ou desinfetados com produtos apropriados) ou congelados.
As hortícolas, frutas e rebentos podem ser também cozinhados.

Para uma higienização correta dos hortofrutícolas, a lavagem deve ser, de preferência, imediatamente antes de cozinhar ou servir, de forma prolongada e com água corrente e abundante, folha a folha, em especial aqueles que vão ser consumidos crus.

Se forem comer fora, optem por alimentos bem cozinhados e evitem saladas ou legumes e fruta crus.

 

Café:

Aqui o ideal será não abusar. E quando falamos de cafeína também nos referirmos a alguns chás, cacau e alguns refrigerantes que “te dão asas”.
O ideal será não consumir mais do que 200 mg/dia e uma bica ou uma chávena de expresso tem cerca de 100 a 150 mg. Portanto, não temos muito plafond para gastar.

Na gravidez, gosto de recomendar às minhas grávidas uma alternativa ao café que é a chicória, pois não tem cafeína e disfarça bem para quem gosta de tomar o seu café. Não adoro o consumo de cafeína na gravidez sou sincera...

Durante a amamentação esta questão também é importante, pois a cafeína passa através do leite materno para o nosso baby, podendo levar a algumas reações no bebé, como maior irritabilidade.

 

Há mais orientações relativamente à alimentação na gravidez (estas são as mais importantes), que devem ser fornecidas logo na primeira consulta de gravidez, porque estes cuidados devem ser aplicados desde o momento que têm a confirmação que estão grávidas.

Nesta consulta, além dos cuidados alimentares também o casal é orientado para próximos passos em termos de exames e consultas, bem como os cuidados em geral com o dia-a-dia da grávida (desde o treino físico, sono, sinais de alarme... até produtos de cosmética a usar, cuidados com medicação, entre outros).

 

Espero que esta partilha vos tenha ajudado, e claro esta informação,  não dispensa a orientação da vossa equipa de saúde para melhor adaptar questões nutricionais ao vosso caso.


Deixo mais orientações sobre a alimentação na gravidez nesta entrevista com uma
 nutricionista neste vídeo do meu canal do Youtube

Com carinho,
Carmen Ferreira - Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica, acompanho mães e grávidas ao longo da sua maternidade 🤍


NOTA: A informação disponível neste artigo não dispensa a avaliação e orientação da equipa de saúde que vos segue.  

Voltar para o blogue